Guest blog: Construindo casas e vilas mais humanas, Carol Guilen

This article is from Carol Guilen, editor of Do Nosso Quintal (Homes in Transition)

Construindo casas e vilas mais humanas

Casas são feitas para habitação do homem. Certo? Teoricamente, sim. Porém, o que temos visto cada vez mais é a priorização do dinheiro norteando a arquitetura. Materiais baratos, de má qualidade, espaços pequenos, negação da convivência.

Os apartamentos luxuosos criam espaços gourmets e mini-academias atraentes na hora da compra, mas que, no dia-a-dia, tornam-se desabitados. Poucos moradores querem ir à piscina ou cozinhar em conjunto com seus vizinhos, porque a lógica da comunidade está quebrada nessas sociedades.

O oposto disso é o que tem promovido Kevin McCloud, designer e apresentador da série britânica Grand Designs. A série é um reality show em que sonhos de casas personalizadas e freqüentemente ecológicas são trazidos à realidade por uma equipe de designers, arquitetos e executores do programa.  Kevin também é fundador da organização HAB (Happiness Archtecture Beauty), cujo objetivo é promover um novo paradigma de arquitetura.

McCloud propõe casas e bairros criados como suporte para comunidades levando uma vida mais sustentável. Em seus projetos, a tecnologia é realmente usada como auxiliar, como complementar às habilidades humanas e em harmonia com atividades tão antigas quanto as civilizações – jardinagem, festas comunitárias, entre outros.

O modelo de habitações perfeito para a transição

A crise – quase falência – das grandes cidades tem feito pessoas de diversos backgrounds concordarem que precisamos de outro modelo de moradia e comunidade. Uma estrutura mental diferente certamente deve refletir em espaços pensados de forma diferente, que servirão de base para uma sociedade mais ecológica ou sustentável.

O modelo proposto por McCloud tem as vantagens de ser benéfico em termos ecológicos, econômicos, sociais e culturais. Mais que isso, não se tratam de projetos no papel. São construções reais, sólidas, que nos fazem ver que é possível já mudar para uma forma mais ecológica de viver. Ele acredita que não bastam construções ecologicamente corretas, mas que dêem suporte para uma rotina mais sustentável e comunitária.

A beleza é um aspecto considerado seriamente em seus projetos. De fato, tendemos a subestimar esse fator, achando que se trata de superficialismo. Mas não é, absolutamente, verdade. Beleza tem a ver com equilíbrio e com capacidade criativa. Estamos vivendo uma transformação do paradigma de que o belo é o sem defeito, feito em série e assinado por um designer arrojado, e voltando-nos para uma visão de que belo é aquilo que é genuíno, adequado à realidade local e pessoal. O ser humano é um ser criativo, e sua expressão em suas roupas ou em sua habitação é a verdadeira beleza.

O modelo de McCloud para o Brasil

Até mesmo a forma de propriedade dos prédios de McCloud é diferenciada: você tem opções entre alugar e alugar-para-comprar. Seria uma opção maravilhosa para o Brasil, onde a maior parte das pessoas nas cidades não têm condições financeiras de adquirir um imóvel próprio de qualidade, e sente-se sufocada pela obrigação de pagar aluguel, que escoa seus rendimentos de forma irreversível.

Seria um cenário maravilhoso se os governos começassem a adotar o modelo de McCloud para os loteamentos populares. O Brasil tem um belo programa de revitalização de favelas, construindo prédios para substituir os barracões de famílias de baixa renda, oferecendo estrutura de esgotos e coletas de lixo, e assim aumentando consideravelmente a qualidade de vida dessas pessoas. Em alguns casos, adotam inclusive simples e inovadoras iniciativas ecológicas, como a instalação de caixas d’água de alumínio nos telhados das casas populares permitem o aquecimento natural da água para o banho ao final do dia. Se esses programas adotarem o modelo de McCloud, a sociedade inteira ganharia com mais equilíbrio ecológico e social. A característica positiva de forte sentimento de comunidade das favelas seria mantida, em uma base muito mais positiva e cidadã.

…Mas se os governos não acharem como incorporar essa inovação, quem sabe alguma empresa inovadora nasça para fazer acontecer?

Carol Guilen é Consultora Ambiental. Bióloga formada pela Universidade de São Paulo, especialista em Ecologia de Paisagem, Direito Ambiental e mestranda em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais. Nas horas vagas, diverte-se decorando e organizando a casa, de preferência com itens reciclados.

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