Ciclismo na Grã-Bretanha: O que o Brasil Pode Aprender?

Pensei em escrever sobre ciclismo na Grã-Bretanha e, em particular, no sudoeste da Escócia, para ver se há algumas coisas que o Brasil pode aprender.

Estou aprendendo português e leio Folha de São Paulo, Veja e vários blogs brasileiros para melhorar minha fluência e eu gosto de ler sobre ciclismo no Brasil. Claro que sim, os ciclistas no Brasil têm muitos problemas de segurança e há várias histórias terríveis de mortes de ciclistas.

Nos dois últimos anos, eu viví entre o Brasil e a Escócia. No Brasil, morei primeiro em Belo Horizonte, e agora moro São Paulo. Que grande contraste com a Escócia, a parte da Escócia em que eu moro, Dumfries and Galloway, um cantinho quieto não famoso no qual não moram muitas pessoas porque é uma região agrícola. A maior cidade é Dumfries, com mais ou menos 30.000 habitantes.

A Escócia é com frequência eleita um dos melhores países do mundo para mountain biking. Tem leis que permitem às pessoas o acesso a toda região, uma população de apenas 5 milhões de pessoas.

O sul da Escócia não é muito populoso, e há onze anos houve um surto de uma doença, que se chama “foot and mouth” (“febre aftosa” em português). A doença afetou as vacas e ovelhas, e muitas tiveram que ser mortas. Para ajudar a região, em 2002 um novo projeto foi criado chamado “The 7 Stanes” (Stane é uma palavra escocesa que significa pedra). A ideia era criar 7 novos centros para mountain biking e, assim, atrair turistas e ajudar a recuperar a economia local.

Em cada centro há um “stane” criado a partir de uma história local. Aqui estão alguns exemplos:

Em cada centro há rotas diferentes para crianças, iniciantes, intermediários e especialistas. Há também áreas de freeride e loops onde você pode aprender técnicas diferentes.

Assim como os Stanes, há também Drumlanrig Castle, propriedade da família Buccleuch, onde há também uma gama de ciclovias fantásticas nas terras e florestas ao redor. No inverno você não paga nada para andar de bicileta, e no verão custa mais ou menos 15 reais para estacionar seu carro e andar de bicicleta.

A família Buccleuch mora aqui:

The 7 Stanes foram financiados por vários organismos nacionais e europeus. Em São Paulo é bom ver as ciclofaixas abertas nos domingos. Ciclismo numa cidade como São Paulo é um interessante, mas por que não criar centros de ciclismos nas florestas perto de São Paulo, onde o ar é mais fresco e limpo, onde seria possível ter muito divertimento e incentivar as pessoas a começar nessa prática de esporte? Não custaria muito dinheiro!

São Paulo tem que incentivar as pessoas porque agora tem 7 milhões de carros e uma poluição terrível. Quando eu vivia em Londres e Leeds, eu ia de bicicleta para o trabalho. Mas nas empresas havia chuveiros para os ciclistas e eu não acredito que existam muitos chuveiros em escritórios no Brasil. Além disso, eu tinha uma garagem que era segura e apenas para bicicletas, onde somente os clicistas tinham chave. Essas coisas não custam muito, mas elas têm que ser concebidas desde o início.

Agora eu gostaria de falar sobre segurança. Eu leio vários blogs como Vá de Bike e eu leio o que as pessoas escrevem no Twitter sobre ciclismo no Brasil. Tem havido muita discussão sobre como bicicletas, motos, carros, ônibus e caminhões podem coexistir nas ruas. Não precisa ser uma guerra e soluções não são sempre caras. Veja estes cruzamentos em Dumfries:

Em cada caso, é dado espaço à frente e pelo lado para as bicicletas, a fim de protegê-las quando as luzes mudam para verde.

Esta é uma foto minha pedalando na “Rota de Bicicleta 10”.

Ao redor do Reino Unido há varias rotas onde não tem muito trânsito. Poderia ser igual em São Paulo? Eu acho que podem existir planos para criar ciclovias em estradas sossegadas em São Paulo, mas eu não sei se esses planos foram financiados ou autorizados. Alguém pode me informar?

E finalmente, como o prefeito de Londres se locomove? Aqui está Boris Johnson, prefeito de Londres.

Eu não estou fã dele como politico, mas ele é um ciclista genuíno (outros políticos são fotografados em bicicletas e fingem ser ciclistas e verdes, mas é somente fachada). Porque o prefeito de Londres é ciclista,  introduziu esquemas para bicicletas e muitas melhorias para os ciclistas porque ele entende dos problemas.

Ciclismo no Reino Unido é muito cool e  na moda. É muito legal ver os grupos no Brasil fazendo bicicletadas por exemplo, e estou animado para ver tudo o que está acontecendo.

As bicicletas podem ser uma parte da solução para resolver os problemas de tráfego nas cidades, algo que São Paulo e muitas outras cidades do Brasil estão agora começando a compreender. O que é bom para os ciclistas é bom para todo o Brasil.

4 responses to “Ciclismo na Grã-Bretanha: O que o Brasil Pode Aprender?

  1. Interessante seu ponto de vista, Simon, e um bom esforço com a língua.
    Eu conheço bem a realidade de ciclista tanto na Europa e no Brasil. Aqui na França, quase só ando de bicicleta e quando morei em Londres não foi diferente.
    Já no Brasil, fomos muito influenciados pela indústria automobilística e a consciência está vindo aos poucos. Soma-se o problema de transporte urbano aos muitos outros problemas das cidades brasileiras e veremos que a solução não virá rapidamente. É muito mais fácil aqui na Europa, onde há menos problemas de infraestrutura.
    De toda maneira, a mudança principal é cultural e isso leva tempo. Iniciativas interessantes estão acontecendo por toda parte e um dia a coisa muda…
    Abraço

  2. Ficou ótimo seu poste m português, Simon! Bom começo! E achei o post interessantíssimo! Precisamos dar um jeito de mobilizar mais o Brasil em relação ao ciclismo e também coleta de lixo decente. Aliás, que tal seu próximo post em português ser sobre lições que podemos aprender do UK sobre coleta e tratamento de lixo? abç

  3. Olá, Simon. Gostamos muito das suas informações e comentários. Somos três brasileiros com uma viagem de cicloturismo pela Escócia, marcada para o próximo mês de julho, e gostaríamos de conversar com você sobre esse projeto. Seria possível? Por favor, diga como poderíamos fazer contato..

  4. Pingback: Was the 2014 UCI Downhill World Champions in Hafjell the craziest and most inspiraitonal race ever? | Transition Consciousness·

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s