Porque visionários, design thinkers e líderes de negócios precisam estudar a História da Ciência

Neste momento estou escrevendo a resenha do livro “Taking Appearance Seriously” de Henri Bortoft. Depois de ter sido seu aluno e agora ensinar sua filosofia fenomenológica para estudantes de negócio, sua editora Floris Books me enviou o manuscrito do seu mais recente livro e, sem dúvida, tem sido maravilhoso para mim ler esse trabalho de Henri, especialmente considerando que o seu livro anterior “The Wholeness of Nature” foi publicado em 1996.

O livro de Henri é um monumental tour de force, e eu acredito que não haja na atualidade nenhum filósofo, cientista e autor vivo que tenha a capacidade de explicar com clareza a evolução do pensamento da época de Platão à Idade Moderna. Essa evolução se dá não somente em termos lineares, mas também o que Henri nomeia como a “dinâmica do pensar”, uma forma dinâmica de ver o que ele sugere ter sido o verdadeiro ensinamento de Platão e Aristóteles, e que voltou para nós primeiramente pela ciência de Goethe, chamada por ele de “empirismo delicado” e, depois, no século passado, via os movimentos filosóficos europeus da fenomenologia e da hermenêutica.

Nem sempre é fácil dizer às pessoas no mundo dos negócios sobre a importância de estudar a história da ciência. Entretanto, acredito ser vital, uma vez que não é suficiente somente olhar para as ideias que os grandes pensadores tiveram, pois, isso por si só não vai nos tornar grandes pensadores. Se estudarmos a maneira de pensar dos grandes cientistas, descobridores, inovadores e inventores, então poderemos aprender a ser mais inovadores, criativos, e a entender os sistemas naturais orgânicos e dinâmicos. Somente se tivermos novas formas de pensar é que poderemos elevar nosso nível de consciência, e, assim, resolver problemas que antes pareciam impossíveis para nós.

Photo credit: dexigner.com

Foi, portanto, uma grata surpresa quando hoje li esta entrevista com Tim Brown, CEO da IDEO, e criador da influente metodologia Design Thinking.

P: Onde você encontra a sua inspiração para novas ideias?

R: Eu amo História e Ciência (e História da Ciência, acima de tudo). Estou interessado no desenho de sistemas complexos e de ciência, seja do mundo natural ou a ciência da complexidade, é extremamente inspirador para mim. Acredito que temos que adaptar nossos métodos de design para considerar a complexidade dos sistemas que estamos criando. Muitas das minhas ideias, como a importância de entender o comportamento emergente, vêm da ciência.

A história também é importante para mim, particularmente da história do design, tecnologia e negócios. Podemos ficar muito animados com ideias contemporâneas, mas eu acredito que olhar para trás e ver o que grandes figuras históricas como Buckminster Fuller, Isambard Kingdom Brunel, Charles Darwin, ou Peter Drucker pensaram, pode ser verdadeiramente inspirador bem como colocar as coisas em perspectiva.

Esta citação é maravilhosa, especialmente porque Tim também menciona Charles Darwin, cientista que também sou um grande admirador. Aqui no Brasil há uma verdadeira sede por novos pensamentos em negócios, e muitas escolas de negócios convidam oradores internacionais a cada ano para vir e ensinar. No entanto, tanto quanto sei, há apenas uma escola de negócios que não apenas ensina ciência da complexidade, mas também possui um módulo sobre a História da Ciência, a fim de ajudar o aluno a desenvolver seu pensamento em torno da inovação, da criatividade, do pensamento sistêmico e da sustentabilidade. Essa escola está localizada em Joinville, Santa Catarina e se chama Sustentare Escola de Negócios.

Prof. Wilmar Cidral with Maria Auxiliadora Moraes Robinson and myself

A Sustentare foi fundada pelo professor Wilmar Cidral, e a ele deve ser dado todos os créditos por ter tido a visão e a sabedoria para desenvolver um curso de pós-MBA que inclui um módulo sobre a História da Ciência. Eu já escrevi em outro artigo sobre o impacto que este elevado nível de ensino tem sobre os estudantes de negócios. Abaixo segue um comentário de um dos estudantes que resume bem esse impacto positivo:

Sim, meu conceito mudou. Defino complexidade como um sistema que é mais do que a soma das partes e onde o caos e a ordem podem coexistir, à exemplo das organizações, que não podem ser descritas sem considerarmos sua cultura, suas pessoas e sua relação entre elas, pois quando eu sou parte da organização eu não vejo a organização separada de mim, uma vez que a organização se apresenta nas partes que são as pessoas. E cada pessoa é um reflexo da organização.

Leia mais em:

Taking Appearance Seriously: The Dynamic Way of Seeing in Goethe and European Thought by Henri Bortoft is published by Floris Books and is released on 25th October 2012

Changing Mental Models of Complexity

Blistering Barnacles! What I learned from reading Darwin

Reflections on my two days at Sustentare Business School

Sustentare Escola de Negócios

4 responses to “Porque visionários, design thinkers e líderes de negócios precisam estudar a História da Ciência

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