Strategy Execution Summit 2013: A Evolução Necessária na Gestão da Estratégia

Nos dias 7 e 8 de agosto, no Strategy Execution Summit 2013, em São Paulo, muitas das mais importantes empresas nacionais e internacionais do Brasil e da América Latina, bem como vários representantes de diversos ministérios brasileiros, departamentos e organizações municipais e federais se reuniram para discutir estratégia. Maria Auxiliadora Robinson, Diretora de Educação da Symnetics, foi a responsável pelo evento. Esta foi a 10 ª Edição do Strategy Execution Summit e Maria ressaltou que o evento desse ano marca um importante momento de virada não só para o setor público no Brasil, que começa a se preocupar fundamentalmente com planejamento e gestão da estratégia, mas para todas as organizações que agora precisam, mais do que nunca, tornar suas estratégias dinâmicas, acompanhando o ritmo de mudanças dos ambientes externo e interno. Empresas privadas e organizações públicas estão lidando com um ambiente muito mais turbulento, exigindo maior agilidade e criatividade de seus líderes e colaboradores. Para Maria, a chave para o sucesso do Summit está em seu formato e agenda que conduzem os participantes em uma jornada de aprendizagem transformadora, uma forma de aprender que foi inspirada no modelo de aprendizagem do Schumacher College, um instituto de ponta sediado na Inglaterra e famoso por sua filosofia que vincula Ecologia com Economia.

Maria Auxiliadora opens the summit

Maria Auxiliadora opens the summit

Maria concebeu a estrutura do Summit de tal forma a dar aos participantes uma nova maneira de ver e entender a estratégia, mais integrada:

 Este é um ano de celebração, portanto, é um momento de pararmos para refletir sobre o que fizemos e sobre o que ainda temos que fazer. A maneira na qual o evento foi projetado, a sequência das palestras, painéis e oficinas fizeram com que todos pudessem ter uma visão da evolução do tema estratégia. Assim, fomos todos capazes de refletir sobre o passado, o que deveríamos ter feito diferente bem como o que fizemos bem, e através de um processo evolutivo ver o que temos de novo e o que ainda precisamos aprender. A ideia foi criar uma visão mais integrada. O principal objetivo do encontro, que é o que tenho tentado fazer ano após ano, tanto no Summit como nos cursos que ministramos pela Symnetics, é que tudo esteja integrado. Por exemplo, o tema risco não é isolado do tema estratégia, assim como recursos humanos, etc. Na verdade, a ideia é mostrar que toda organização é um sistema só e que todos são responsáveis em algum nível por tudo. A agenda e a forma como o evento foi apresentado, culminando com a palestra especial com o Dr. Jorge Gerdau, que tem o entendimento das relações sistêmicas, foi projetado para ajudar a desenvolver essa visão integrada.

Fechando o primeiro dia, tivemos a vídeo conferência com os professores David Norton e Robert Kaplan, Marvin Bower Professor de Desenvolvimento de Liderança, Emeritus na Harvard Business School, que tendo participado de muitos Summits anteriores, em momentos distintos, fizeram pela primeira vez juntos uma apresentação em evento no Brasil. Kaplan e Norton são os criadores da metodologia Balanced Scorecard, a quinta ferramenta de gestão mais utilizada no mundo, de acordo com pesquisa realizada esse ano pela Bain & Company. Balanced Scorecard não é apenas uma ferramenta para entregar valor para as partes interessadas de um negócio. Seu uso é muito mais amplo, e, de fato, trata-se de uma metodologia revolucionária, pois proporciona uma mudança no foco das empresas de somente se verem e se avaliarem pelos resultados financeiros para uma visão perspectiva que considera várias dimensões do negócio além do longo prazo. Como disse Robert Kaplan, o Balanced Scorecard atualmente vem “mudando o foco das empresas em exclusivamente buscar o valor para o acionista para uma compreensão da necessidade de também considerar a comunidade na tradução da estratégia.” Nesse sentido, Robert Kaplan destaca e mostra qual o caminho para fazer a diferença na vida das pessoas e dos negócios.

David Norton and Robert Kaplan

David Norton and Robert Kaplan

Kaplan discutiu o caso da cidade de Barcelona, que depois dos Jogos Olímpicos utilizou a metodologia para resolver diferentes questões estratégicas que a população enfrenta. Barcelona tornou-se um grande sucesso baseando-se na liderança visionária, mas como Kaplan observou, “o próprio ato de traduzir a estratégia em um mapa estratégico transforma as pessoas.” As pessoas se tornam mais comprometidas com a estratégia e são mais capazes de desenvolver um entendimento comum via mapa estratégico, dois pilares fundamentais do BSC. Uma das perguntas que foi feita para os professores foi “a tecnologia pode ajudar na gestão da estratégia?” Embora esta seja uma questão muito válida à medida que avançamos para a computação em nuvem e muitas ferramentas sofisticadas de colaboração, o mais importante é a preparação das pessoas principalmente dando sentido a seu trabalho e metas. Temos que transformar a nós mesmos se quisermos transformar as nossas empresas e organizações, e por esta razão nós realmente temos que aprender sobre a abrangência de uma metodologia como o Balanced Scorecard.

Hugo Penteado asks "What if the Amazon were in the United States?"

Hugo Penteado asks “What if the Amazon were in the United States?”

Dado que o modo de ver das organizações é cada vez mais dinâmico, mais aberto (a compreensão da relação entre uma organização e seu ecossistema de partes interessadas e outras organizações com as quais interage) e existe a necessidade de dar sentido a um futuro em constante mudança, Maria identifica uma profunda relação entre estratégia e sustentabilidade, que em seu sentido mais profundo significa a capacidade de resistir às crises e de se adaptar. Visando promover essa reflexão, o segundo dia do evento se iniciou com uma palestra instigadora de Hugo Penteado, economista-chefe e chefe de investimentos éticos do Santander que discutiu sobre Economia Ecológica. Sua principal mensagem foi que nós realmente temos que entender o que estamos fazendo neste mundo, bem como as consequências de nossas ações. Vivemos em um sistema fechado, por isso não podemos “jogar coisas fora”, nós apenas as colocamos em outro lugar. O princípio da natureza é sempre reciclar, inclusive todo veneno que produzimos e descartamos, por isso temos que ser mais consciente sobre o que estamos fazendo.

Hugo Penteado takes questions from Maria Auxiliadora

Hugo Penteado takes questions from Maria Auxiliadora

Foi realmente gratificante ouvir Hugo expressar sua filosofia de uma maneira bem simples. “Nós somos dependentes da natureza. Do ponto de vista da biologia, nós e a natureza somos um.” Para Hugo, uma grande mudança de paradigma ainda está por vir, na qual os economistas deixarão de acreditar no mito de que a economia é maior que o ecossistema. “Existe um mito de que a natureza está separada da economia e uma mania surreal pelo crescimento.”

Roberta Simonetti and Artaet Martins

Roberta Simonetti and Artaet Martins

Dando continuidade ao tema sustentabilidade, tivemos o workshop Sustentabilidade no mercado de capitais brasileiro: avanços, conquistas e pioneirismo do ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial da BM&FBOVESPA. O Brasil foi o quarto país do mundo a desenvolver um índice de sustentabilidade de um mercado de ações, cujo lançamento se deu em 2005. Assim como Kaplan e Norton, a palestrante do workshop Roberta Simonetti, Coordenadora do Programa de Finanças Sustentáveis do Gvces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV) e coordenadora executiva do ISE, também ressaltou o ponto de que as empresas agora estão sendo chamadas a ter um papel social e ambiental muito mais amplo. Foi interessante ver o estudo que ela apresentou mostrando que as empresas que fazem parte do índice de sustentabilidade obtém desempenho financeiro muito superior aos das empresas que não fazem parte. A sustentabilidade não deve ser vista apenas como custo adicional, pois realmente abraçar a sustentabilidade torna a empresa mais flexível e viável a longo prazo. É interessante notar que os resultados apresentados por Roberta são semelhantes aos resultados do Global Living Asset Management Performance (LAMP) índice desenvolvido por Joseph Bragdon, e discutido em seu livro Profit for Life.

Panel session on leadership for results

Panel session on leadership for results

O último painel do segundo dia de evento promoveu uma reflexão sobre Liderança para Resultados, e foi composto por dois CEOs do setor privado e um secretário do Ministério dos Transportes, Dr. Américo Almeida. Eles discutiram o que exatamente significa ser um líder bem-sucedido: comunicar bem, entender o futuro e ver a organização como um todo. Dr. Américo Almeida observou como no Brasil, no setor público, como na maioria dos países, não existe meritocracia, e, como tal, constitui-se em um ambiente difícil de gerir, porém, acredita que o ambiente está mudando para melhor. Ética e valores são essenciais e um verdadeiro líder que exige um comportamento ético tem que ser o exemplo disso. Se um líder não pratica o que diz, a organização irá em breve entrar em apuros.

Mathias Mangels speaks with Dr. Jorge Gerdau Johannpeter

Mathias Mangels speaks with Dr. Jorge Gerdau Johannpeter

Fechando o encontro tivemos a palestra do keynote speaker Dr. Jorge Gerdau Johannpeter, um dos mais empreendedores visionários do Brasil e do mundo, Presidente do Conselho de Administração da Gerdau, maior produtora de aço das Américas, com operações em todo o globo e Presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do Governo Federal. Dr. Jorge foi um dos oradores na primeira edição do Strategy Execution Summit em 2003 e fez uma exposição sobre o que vem desenvolvendo nesses últimos dez anos. Em uma conversa de uma hora e meia, Dr. Jorge falou sobre sua visão como líder e a importância da implementação e execução de processos com excelência. Também ressaltou o fato de que os líderes devem se concentrar não no crescimento e nos resultados financeiros, mas sempre em fazer melhor. Se você é excelente no que faz, crescimento e resultados financeiros serão uma consequência natural. A empresa tem de realmente ouvir os seus clientes, ao invés de pensar que já sabem o que eles querem. Também, os líderes têm que cuidar das pessoas, pois são as pessoas que fazem a diferença. É por isso que Dr. Jorge se preocupa com a educação, e tanto as empresas privadas quanto o setor público precisam de pessoas criativas que possam pensar diferente e questionar as coisas à sua volta.

Mathias and Maria Auxiliadora with Dr. Jorge Gerdau
Mathias and Maria Auxiliadora with Dr. Jorge Gerdau

A palestra do Dr. Jorge teve um forte impacto sobre o público, muito pelo fato de ser ele um grande líder e por suas palavras estarem totalmente alinhadas com suas ações. Para Maria, outro atributo muito importante do Dr. Jorge é ser uma pessoa otimista, o que pode ser percebido em sua observação de que “o Brasil pode realmente ser um país muito forte, e em um futuro não muito distante, mas sim em cerca de dez anos. Há muito a melhorar, mas não é impossível.”

Perguntei à Maria como ela se sentia sobre o Summit como um todo:

Desde que me tornei responsável pelo Strategy Execution Summit em 2011, meu objetivo é o de realmente criar um novo tipo de evento. O Summit não é um evento só para mostrar as melhores práticas, nem no qual as pessoas só vão ouvir os palestrantes para aprender sobre novas metodologias, mas sim onde as pessoas podem ouvir realidades, discutir problemas reais e como as pessoas encontram soluções para suas dificuldades. Assim, o ponto mais importante é a criação de diálogos, por meio de oficinas e painéis, com muito espaço e tempo para que as pessoas desenvolvam seu network. A ideia é que os participantes e palestrantes estejam expostos a reflexões e temas de forma integrada, o que normalmente não faz parte de suas rotinas. Meu grande objetivo é ver essas discussões continuarem após o evento, e a troca entre as pessoas é fundamental, daí a importância do network. É um evento para trocar conhecimento, experiências e reflexões.

Conforme Maria, seu objetivo é criar um encontro onde as pessoas tenham a capacidade de desenvolver o diálogo, discutir questões em um nível profundo, inspirado pelo que ela mesma experenciou no Schumacher College:

O princípio do Schumacher College é a aprendizagem transformadora. A ideia desse instituto de ensino é criar um espaço de aprendizagem muito profunda, para preparar as pessoas em como realmente entender e transformar seus modelos mentais, a ver as coisas de forma diferente e de uma maneira melhor. O grande objetivo é criar conexões entre as pessoas bem como compreender a estratégia de forma sistêmica. O Summit, na maneira como é concebido, coloca em prática o modelo de aprendizagem do Schumacher College, de uma forma adaptada para um evento de grande porte. A ideia é, portanto, realizar um evento transformador, criando conexões entre pessoas e conhecimento.

Foi impressionante ver quão forte era o desejo dos palestrantes em compartilhar com o público sua experiência pessoal, bem como as jornadas de aprendizagem de suas organizações.

Maria Auxilidora closes the summit with Fanny Schwarz

Maria Auxilidora closes the summit with Fanny Schwarz

É uma pena que não havia membros da imprensa internacional aqui para realmente expor para outros países do mundo as melhores práticas em estratégia que são promovidas no Brasil, tanto no setor público como no setor privado. Foi um evento inspirador, tão importante para tempos de incerteza e mudanças e ambos, Maria e Symnetics, devem ser felicitados por realizarem algo tão profundo e significativo.

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