Holonomics: Entendendo a Organização em sua Totalidade

Image: Pixabay

De acordo com recente pesquisa da Bain & Company, a metodologia Balanced Scorecard desenvolvida pelo professor de Harvard Robert S. Kaplan e pelo consultor de empresas David Norton no início da década de 1990, continua entre as principais metodologias de gestão utilizadas pelas organizações ao redor do mundo, estando, atualmente, na quinta posição. A força do Balanced Scorecard reside em sua capacidade de vincular a estratégia às operações de forma prática e simples, representada esquematicamente por um mapa estratégico.

Ao contrário da forma tradicional e fragmentada de se ver uma organização, na qual se busca a otimização das partes para se alcançar a otimização do todo, no Balanced Scorecard a estratégia é traduzida em um mapa que permite ter, além de uma visão do todo, também das relações entre suas partes. São desenvolvidos objetivos para a organização e não para as partes isoladamente. As partes são derivadas do todo e o constituem.

Maria Moraes Robinson and Robert Kaplan

Organizações que implementam o Balanced Scorecard a partir de holonomic thinking desenvolvem conhecimento dirigido às partes, porém, em nome do todo. Em um sistema em que é permitido ver o todo, as pessoas podem dialogar e trocar conhecimento de maneira mais eficaz, desenvolvendo soluções mais significativas e alinhadas. São, assim, capazes de ver as interações e relacionamentos que vão além das fronteiras das áreas dentro e fora da organização. Devido à sua natureza flexível e adaptativa, o relacionamento com a comunidade no qual a organização está inserida, seu impacto no meio ambiente, podem também ser traduzidos na estratégia da organização de tal forma que os gestores podem perceber onde as relações entre os processos internos e os stakeholders acontecem. Assim, tem-se uma visão integrada do ecossistema ao qual a organização está inserida.

Para o professor Robert Kaplan, este aspecto sistêmico da metodologia é a chave: “no mundo global e interconectado de hoje, colaboração além das fronteiras da organização se tornou uma competência crítica para a inovação e o sucesso. A solução dos problemas complexos dos clientes e da sociedade raramente podem ser alcançados utilizando-se o conhecimento de uma única organização, ou de um indivíduo ou de um ministério de governo. A cocriação de mapas estratégicos e Balanced Scorecard ajudam a alinhar as diferentes entidades relacionadas com a organização em uma visão holística e compartilhada para a garantia do sucesso.”

Para sermos capazes de utilizar a metodologia do Balanced Scorecard de forma mais sistêmica e efetiva, o sistema operacional holonômico pode ser extremamente poderoso, especialmente para executivos que muitas vezes estão “estacionados” no pensar.

Em um encontro que realizamos com executivos responsáveis pela gestão da estratégia de grandes empresas no Brasil, para discutir como inserir a sustentabilidade na estratégia das organizações, iniciamos com uma dinâmica que trabalhou a visão sistêmica, ou seja, a sensação, a intuição, o pensamento e o sentimento. Colocamos uma venda nos olhos de cada participante e lhes demos um pedaço de argila para modelar. Pedimos a todos que respondessem, com suas mãos, a uma simples questão: qual a sua relação com a natureza e com o tema sustentabilidade.

Photo: Simon Robinson

Foi realmente surpreendente ver as experiências compartilhadas e os insights que todos tiveram durante o exercício. Apesar de no início um pouco descrentes de sua capacidade de expressão artística, aos poucos cada um foi criando uma intimidade com a argila e esculturas foram surgindo. Um dos participantes criou o modelo de uma pessoa com a cabeça tão grande que durante a criação um dos braços quebrou. Refletindo posteriormente e compartilhando com o grupo, concluiu que atualmente nossas cabeças/mentes estão muito maiores que nossos “corpos”, ou seja, pensamos muito mais do que agimos e criamos uma desarmonia com o meio ambiente.

Para muitos dos presentes a sensação de tocar a argila os remeteu à infância, trazendo de volta experiências sensoriais. Um dos participantes esculpiu uma criança e relatou que somente após ter tido seu primeiro filho é que ficou interessado no tema sustentabilidade.

A discussão posterior ao término da dinâmica, sobre como inserir o tema sustentabilidade na estratégia ficou muito mais robusta e profunda. Apesar de muito simples, essa dinâmica é muito poderosa para explorar outros aspectos relacionados, por exemplo, com a estratégia, com a organização, com a marca, possibilitando o emergir de significados que não surgiriam utilizando-se somente o pensamento racional.

Ler mais: Holonomic Thinking, Harvard Business Review Brasil

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