Holonomics: Como Lidar com Problemas Complexos?

Em 2011, fomos convidados para ensinar holonomic thinking na Escola de Negócios Sustentare em Joinville, Santa Catarina. Fundada em 2005 por Wilmar Cidral, a Sustentare se baseia nos princípios do Triple Bottom Line (conceito de resultado final de um negócio que considera não somente o aspecto econômico-financeiro, mas também, os aspectos social e ambiental). Sua visão é a de que uma escola de negócios precisa promover a ponte entre economia e ecologia, sendo esta a base sobre a qual a própria economia se desenvolve.

Wilmar Cidral, Maria Moraes Robinson and Simon Robinson

Foi a única escola de negócios no Brasil que introduziu holonomic thinking como módulo fundamental para todos os MBAs e pós-MBAs oferecidos. Holonomic thinking não é oferecido de forma separada e sim integrada com outros temas presentes na agenda de todo executivo, como inovação, liderança, estratégia e educação corporativa. Os estudantes aprendem a ver todos esses temas práticos a partir de uma perspectiva mais ampla.

Conforme pontua Wilmar, “esta base muda a visão dos estudantes, habilitando-os a melhor entender e a assimilar os módulos que são oferecidos na sequência de cada programa, oferecendo uma perspectiva mais ampla e a possibilidade de crítica e interpretação da realidade. Tendo o módulo Holonomic Thinking no início, os estudantes podem ver a floresta, ter a visão do todo, sendo depois conduzidos para ver as árvores, a grama, as raízes. A compreensão de um novo tema fica facilitada quando se tem de início a visão do todo.”

Students from Sustentare Business School

O módulo é desenhado para equipar os estudantes com ferramentas de sensemaking, isto é, de como lidar com problemas complexos a partir de múltiplas perspectivas. O trabalho se baseia nas abordagens da psicologia cognitiva, neuropsicologia, fenomenologia, hermenêutica, design de experiências e biomimética, apresentados de uma forma mais prática que teórica, possibilitando o entendimento a partir de um nível experiencial e intuitivo.

Imagen: Sustentare Escola de Negócios

Utilizando estudos de casos e exercícios, como, por exemplo, o estudo do fenômeno da criação das cores vistos a partir de um prisma, ou analisando o comportamento profundamente inteligente, complexo e emergente de um tipo especial de ameba, os alunos são provocados a confrontarem, talvez pela primeira vez, a forma como concebem o mundo à sua volta.

Através de reflexões e discussão em grupo e da análise de modelos reais de gestão orgânica como a estrutura organizacional em rede da Gore Associates, o Sistema Ameba de Gestão da Kyocera, e a estrutura caórdica da VISA, são introduzidos os princípios mais profundos que estão por trás de estruturas e estratégias organizacionais complexas, conceitos que são inspirados pela natureza e são, assim, assimilados e bem entendidos.

Conforme Brian Goodwin, um biólogo e matemático que revolucionou a forma de ver o mundo natural, a natureza nos mostra como fazer as coisas com o menor esforço e a maior elegância. Nos sistemas orgânicos há uma dinâmica relação entre as partes e o todo – máxima liberdade para as partes e coerência ótima com o todo.

Fonte: Holonomics: Business Where People and Planet Matter

Dee Hock, o fundador da VISA, criou o termo “chaordic” para descrever a forma como os sistemas vivos são criativos, baseando sua existência no que chamamos “fronteira do caos”, lugar em que caos e ordem coexistem. Líderes em uma organização precisam sempre se equilibrar entre a ordem e o caos, uma vez que muito controle leva a um ambiente opressivo, rígido e avesso à criatividade e um ambiente imerso no caos se encaminha para o colapso.

Ler mais: Holonomic Thinking, Harvard Business Review Brasil

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